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Terça, 09/02/2010
30% das melhores empresas oferecem educação às famílias dos funcionários
     

Cerca de 30% das melhores empresas no Brasil, segundo ranking das revistas Exame e Você S/A em 2006, oferecem subsídios na educação para parentes dos funcionários. A pesquisa da FIA (Fundação Instituto de Administração), ligada à USP (Universidade de São Paulo), aponta que 44 (29,33%) das 150 eleitas cobrem as despesas em ensino dos empregados e de suas famílias.

O grande trunfo neste tipo de ação, segundo cinco especialistas ouvidos pelo UOL Educação, é uma permanência do profissional a longo prazo no trabalho. Para Jorge Duarte, gestor da área de desenvolvimento social do Senac/SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de São Paulo), os benefícios sociais criam uma fidelização e um comprometimento maior dos colaboradores para com a empresa.

É o caso da secretária executiva Márcia Barbosa, que recebe auxílio de R$ 200 para o pagamento da educação dos seus dois filhos, Carolina, que cursa a 6ª série do ensino fundamental, e Raphael, estudante de desenho industrial da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná). Há oito anos trabalhando na Landis Gyr, em Curitiba (PR), Márcia se diz "bem satisfeita".

Maurício Reis, coordenador de recursos humanos da rede Novo Hotel, da Accor, também está contente com a pós-graduação da sua esposa na Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), em São Paulo (SP). O convênio da empresa com a universidade assegura o pagamento do curso por 50% a menos do valor de mercado. "Quando recebo outras propostas de emprego, avalio bem todos os prós e contras", afirma.

No entanto, não há razões meramente filantrópicas por trás das ações de responsabilidade social, opina José dos Reis Santos Filho, professor de sociologia da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp (Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho). "É uma tentativa de fazer com que os funcionários vistam cada vez mais a camisa da empresa. Se perderem a oportunidade de trabalhar nela, perderão também benefícios de primeira necessidade".

Tudo isso porque a educação se tornou moeda de troca forte hoje em dia, principalmente no Brasil, onde o Estado raramente oferece um ensino público de qualidade, explica Raquel Linhares, coordenadora da área de educação do Senac/SP.

Do ponto de vista empresarial, a sustentabilidade dos negócios requer um corpo de funcionários educado e satisfeito, afirma Duarte. Além disso, a concessão de educação para parentes dos funcionários torna o marketing social das instituições mais forte. "O que faz aumentar a credibilidade da marca para com os consumidores e a opinião pública", diz Santos.

Satisfação no trabalho
Apesar das organizações implantarem a nova modalidade de benefício, o nível de satisfação dos trabalhadores não é mais elevado do que o das outras empresas. Segundo Elza Veloso, consultora técnica do estudo da FIA e professora da disciplina de gestão de pessoas da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo), o índice geral de felicidade no trabalho calculado foi de 81,27% nas organizações que oferecem educação para familiares de funcionários, e de 82,04% nas demais.

Para Maria Tereza Fleury, professora titular de gestão interna de empresas da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), o nível de satisfação dos empregados só aumentará nessas empresas se houver uma política de recursos humanos consistente, com um conjunto de medidas e práticas que visem um maior comprometimento do funcionário para com a empresa.

"E isso depende de como você faz a gestão e da estratégia do negócio. Se for um projeto feito com muita transparência, com critérios claros para todos, bem discutidos e bem negociados, haverá satisfação, e os funcionários não se sentirão aprisionados", diz.

A secretária executiva Márcia Barbosa confirma tais preceitos. "É um conjunto de coisas que me fazem permanecer na empresa, como a comunicação aberta e clara. Aqui os funcionários sabem de tudo. Há muito respeito e o ambiente de trabalho é excelente".

     
Fonte: Site uol.com.br
Data de inserção na Curriex: 05/09/2006
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